Authors Posts by .

.

7595 POSTS 2 Comentários

0

Sete angolanos foram obrigados a regressar ao aeroporto de Luanda e impedidos de entrar em quatro países, nomeadamente Portugal, noticiou hoje a agência Lusa, citando fonte do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME).

Segundo a Lusa, isto aconteceu na primeira semana do ano, sendo que a maior parte destes cidadãos nacionais angolanos foram impedidos de entrar por “falta de meios de subsistência”, dois no aeroporto de Lisboa e outros dois no de Casablanca (Marrocos).

Um terceiro angolano regressou de Lisboa por estar impedido de entrar em Portugal, enquanto outros dois casos se verificaram na Bélgica e no Japão, igualmente entre 01 e 07 de janeiro.

Na mesma semana, foram expulsos de Angola, através de processos tramitados pelo SME, 581 estrangeiros por via administrativa e um por via judicial, menos 229 casos que na semana anterior.

0

Luís Filipe Malheiro / Jornalista

O que se passou em Paris esta semana, com o assassinato a sangue frio de 10 jornalistas da polémica publicação francesa “Charlie Hebdo” retirou os franceses da passividade idiota em que por vezes, muitas vezes, mergulham, no que à tolerância em democracia diz respeito, fazendo-os enfrentar de forma dolorosa a dura realidade da vulnerabilidade de um Estado forçado a olhar de forma pragmática para a violência e a ousadia de tudo o que se passou.

Sabem os que acompanham mais de perto esta problemática que o “Charlie Hebdo”, politicamente conotado com a esquerda radical, mantem há muitos anos uma linha editorial de crítica contundente do estado, do regime político, dos governantes franceses e mundiais, mas que privilegia também, através das suas polémicas primeiras páginas, uma clara aposta na crítica à religião e à Igreja.

O problema é que se é verdade que o crime de Paris ressuscitou a discussão em torno dos limites, sim ou não, da questão da liberdade de imprensa, sobretudo no seu confronto com o terrorismo, por outro está instalada também o debate, e alguma confusão, sobre qual a relação entre a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa e a eventual necessidade de não envolver as questões religiosas, de uma forma tão acentuada, no modelo de críticas contundentes e do ridículo formalizado com recurso a cartoons que de inocentes não têm nada.

Admito que a sociedade democrática ocidental, porque se rege pelos princípios democráticos mais elementares – entre os quais o respeito pela liberdade de imprensa, provavelmente a níveis não tão rigorosos como o respeito pela liberdade e pelas opções religiosas dos povos – reaja com indiferença relativamente a posturas semelhantes à do “Charlie Hebdo” – salvo alguns sectores minoritários mais radicalizados. Mas sabemos que no caso dos muçulmanos, particularmente das vertentes mais radicais da sociedade islâmica, o problema muda de figura e a margem de tolerância é diminuta ou quase nula, quando a religião, o Corão e o profeta Maomé são atacados ou ridicularizados. Há duas formas de encarar a crítica à religião, duas formas diferentes de responder as quem opta por essa via. Não há que escondê-lo

A publicação francesa em causa há muito que tinha sido ameaça, aliás em linha com outras publicações, na Holanda e na Dinamarca, identificadas com a mesma linha editorial. Tudo por causa da ousadia de me meterem com situações “proibitivas”. Em Portugal não temos neste momento em circulação nenhum jornal comparável ao “Charlie” o que dificulta a perceção do que se passa por parte da maioria das pessoas. Estamos a falar de um jornal criado em 1970, que em 2012 esteve envolvido em grandes polémicas com sectores muçulmanos mais radicais, depois da publicação em primeira página de vários cartoons. Depois de um interregno entre 1981 e 1992, devido a dificuldades financeiras, o “Charlie Hebdo” alcançou fama mundial ao republicar as caricaturas de Maomé feitas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2006. Em Novembro de 2011, a redação da revista foi destruída com uma bomba incendiária.

Não vale a pena alinharmos em manifestações de consternação ou de protesto, que nada resolvem, só porque os acontecimentos assumem uma determinada dimensão. Não me lembro de ver qualquer manifestação pública do género em Paris quando jornalistas foram degolados pelo Estado Islâmico. Não me lembro de uma reação tão organizada e sintonizada a esta escala quando mais de 70 jornalistas foram assassinados em 2014, todos eles vítimas de radicalismos políticos ou religiosos.

Por outro lado, há claramente uma linha vermelha que faz com que a atitude, normal e natural da sociedade francesa e de outros países ocidentais, esbarre com a realidade que hoje alimenta o radicalismo islâmico e a reação popular alimentada por sentimentos religiosos mais radicalizados e menos tolerantes. O Estado Islâmico, espelho do terror e da violência sanguinária veiculada por parte de alguns sectores muçulmanos mais radicais, classifica de “heróis” os autores de um atentado que a polícia francesa persegue ferozmente, que provavelmente os abaterá sem contemplações e os franceses, sobretudo estes, acham que são indignos de qualquer tolerância e de viver entre eles.

E o essencial de tudo isto? Estará a liberdade de imprensa realmente ameaçada? Terá o “Charlie” desvalorizado uma realidade que porventura teria obrigado a medidas preventivas que porventura foram descuradas? Pode a liberdade de imprensa tratar da mesma forma as questões políticas de um estado ou os protagonistas de um regime e as matérias de natureza religiosa quando neste caso a intolerância é excessiva e radicalizada? Confesso que não tenho respostas, até porque liberdade de imprensa, para mim, sempre foi um conceito inegociável em democracia. Sigo com interesse tudo o que vem sendo feito e dito sobre este tema, sem que até este momento tenha retido algo de concreto e de útil. Apenas emotividade que não impede que situações como esta se repitam seja lá onde for. Mas estaremos a falar realmente de sociedades democráticas na sua plenitude e de acordo com o padrão ocidental? Estaremos a falar de seguidores das regras elementares de uma democracia na sua plenitude?

Lembro que Charb, o assassinado diretor disse que não iria suavizar nem o seu discurso nem os seus desenhos: “É preciso continuar até que o islão seja tão banal como o catolicismo”. Biard, chefe de redação, explicou a postura do “Charlie” quando o assunto é a religião: “Somos um jornal que é contra as religiões assim que elas entram nos domínios público e político”. A minha questão de fundo é esta: o que é que ganhou o “Charlie” como massacre de 10 dos seus jornalistas assassinados de forma tão bárbara? O que é que ganhou a liberdade de imprensa com este crime em Paris?

0

O museu de Paris recebeu 9,3 milhões de visitantes em 2014, um número considerado idêntico ao registado em relação a 2013, mas que permitiu que se mantivesse como o primeiro do mundo em termos de frequência, informou aquela instituição.

O público estrangeiro representou cerca de 70% dos visitantes, sendo que as nacionalidades que mais frequentaram o museu foram a americana, a chinesa, a italiana, a inglesa e a brasileira. Segundo o Louvre,  as suas colecções permanentes receberam, no ano passado, 100 mil visitantes a mais do que em 2013. Os jovens lideraram a procura.

0

Marçal esteve muito perto de reforçar o Benfica no final da época passada. Quem o garante é o próprio jogador, em declarações ao AgoraMadeira.

“Na altura, o Benfica contactou o Nacional. Estiveram muito próximos de um acordo mas depois acabou por não acontecer. Estava de férias e ligaram-me a dizer que o Benfica tinha interesse em mim, que estavam conversando e estavam muito próximos de um acordo…”, confessou o lateral esquerdo brasileiro de 25 anos.

Porém, tudo mudou pouco depois. “Ligaram-me depois a dizer que já não havia acordo, mas o futebol é isso. Não se pode agradar só a uma parte e o Nacional não achou a proposta satisfatória. Queria ter dado o salto para satisfação pessoal e para ajudar a família. Ia ser um grande salto, mas fiquei tranquilo porque o que mais quero é jogar e ajudar o Nacional”, admitiu.

Agora, com o mercado de transferências de novo aberto, Marçal assegura que é pouco provável a saída e lembra que termina o contrato no final desta época.

“Não há qualquer contacto para sair agora do Nacional. Não digo que não há possibilidades, porque o mercado continua aberto, mas o meu contrato termina no final da época. Quem tiver interesse penso que vai olhar mais para essa altura e não para agora”, reconheceu, mostrando gratidão ao Nacional pelo facto de o ter contratado a um clube da Segunda Divisão B do Brasil.

“Gosto muito do Nacional. Foi o clube me deu a mão e que me ajudou porque jogava na Segunda Divisão B, por isso se saísse em Janeiro ficava feliz porque significava que ia ajudar o clube com o valor de uma transferência”, sublinhou. Sobre uma possível renovação com o clube alvi-negro, ficou uma certeza: “O Nacional ainda não me procurou para renovar mas já disse que estou recetivo a uma eventual proposta. Estou disponível para renovar se chegarmos ao valor que estou à procura. Não tem problema nenhum! A minha família gosta muito de viver na Madeira, assim como eu.”

O SONHO CHAMADO JAMOR

Marçal foi, uma vez mais, um jogador importante no Nacional, agora na vitória sobre o Marítimo desta quinta-feira a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, mas os dias que antecederam o jogo não foram fáceis para o defesa alvi-negro.

“Estive quatro dias de cama e não pude jogar com o Guimarães. Tive uma amigdalite e otite. De ontem para hoje recebi três injeções para que conseguisse ajudar o Nacional hoje, o que era o mais importante”, sublinhou, falando já do que se segue na Taça de Portugal.

“Chegar ao Jamor é um sonho mas ainda há dois degraus para subir. O Sporting é uma equipa grande e são 180 minutos, mas vamos ver se conseguimos chegar à Liga Europa por um caminho diferente”, observou, reforçando: “Se eu puder sair do Nacional e deixar esse legado que é chegar a primeira vez ao Jamor, isso seria espetacular”, reconheceu.

Sobre a vitória nas grandes penalidades sobre o rival, Marçal, que marcou uma das grandes penalidades que ajudaram à passagem em frente, sublinhou a justiça da conquista.

“Lutámos bastante para conseguir a vitória, tivemos, inclusive, várias oportunidades para resolver o jogo antes dos penaltis mas é sempre bom vencer nos Barreiros. Na grande penalidade, normalmente não costumo bater bem, mas às vezes bate aquele que tem mais confiança e não aquele que bate melhor. E eu estava confiante. Já sabia como ia bater e o que ia fazer…”, concluiu.

0

Os dois irmãos Kouachi foram vistos no Norte de França ainda no carro com que abandonaram Paris e continuam armados, segundo fontes citadas pela imprensa francesa.

A França procura agora os dois irmãos, suspeitos pelo atentado de quarta-feira na redacção do jornal Charlie Hebdo, que terminou com a morte de 12 pessoas.

Para além dos irmão de 32 e 34 anos, Hamyd Mouradi, de 18 anos, foi outro dos autores do ataque, que, neste caso, se entregou durante a última noite às autoridades francesas. A polícia concentra agora as buscas sobre os dois irmãos, Chérif e Said Kouachi. Ambos foram localizados na Estrada Nacional 2, na região de Aisne, no Norte do país, de acordo com testemunhas ouvidas pelo jornal Le Parisien. Os suspeitos encontravam-se a bordo do mesmo veículo no qual abandonaram Paris, um Clio branco, ao fim da manhã de quarta-feira, minutos depois do atentado.

Os homens foram vistos numa estação de serviço e foram identificados pelo gerente, que contactou a polícia. A testemunha afirmou que ambos estavam ainda mascarados e ainda dispunham do armamento com que executaram o ataque.

Entre os três suspeitos, Chérif Kouachi é o que recolhe mais atenção, uma vez que se trata de um nome conhecido dos serviços de contra-terrorismo franceses. Em 2008 foi condenado a três anos de prisão, dos quais 18 meses de pena suspensa, pela sua participação numa rede de envio de combatentes que se pretendiam juntar à Al-Qaeda no Iraque.

Dois anos depois, Chérif foi um dos suspeitos de conspirar para libertar um antigo dirigente do Grupo Armado Argelino Islâmico (GIA), Smain Ait Ali Belkacem, condenado a prisão perpétua em 2002 como um dos responsáveis pelo ataque a uma estação de metro em Paris, em 1995, que matou oito pessoas. O irmão de Chérif também era suspeito, mas ambos acabaram por ser ilibados por falta de provas, segundo a BBC.

FONTE: Jornal Público

0

A Superintendência de Preços Justos da Venezuela multou uma sucursal da rede de supermercados Central Madeirense por ter detetado que várias caixas registadoras estavam encerradas.

Segundo notícias tornadas públicas na tarde de ontem, a SPJ penalizou a sucursal de Chacaíto, a leste de Caracas, com uma multa no valor de 2.500 unidades tributárias (336,30 euros).

“Os fiscais observaram irregularidades neste supermercado que tem nas suas instalações 12 caixas (registadoras) e quatro não estavam operacionais para efectuar o pagamento dos produtos que os venezuelanos adquirem”, explicou a SPJ em comunicado.

Depois de multado o supermercado recebeu instruções para abrir de imediato as caixas registadoras encerradas.

0

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, apelou, ontem, ao respeito pela privacidade da sua família, confirmando ter sido diagnosticada à sua mulher, Laura Ferreira, uma doença oncológica.

“Confirmo que foi diagnósticado à minha mulher, Laura Ferreira, um problema do foro oncológico que está a ser devidamente acompanhado”, referiu, numa nota enviada à agência Lusa.

“Dado que se trata de um assunto privado, que apenas diz respeito à minha família, peço também que essa reserva de privacidade continue a ser respeitada”, acrescentou Pedro Passos Coelho.

0

Rómulo Soares Coelho / Administrador do União da Madeira

Entramos na fase final da época para os campeonatos ao nível de formação, e preparamo-nos para fazer um balanço… E para os lados do Vale Paraíso são bem positivos!

O União da Madeira, após uma reestruturação profunda e um interregno de alguns anos, voltou em força! Em quantidade e em qualidade. Ainda com muito para crescer e melhorar, o União da Bola, com as suas 101 primaveras, continua a fomentar a prática do desporto nos mais jovens, focando a sua essência na modalidade de futebol, que sempre foi, não a única mas, a base da sua espinha dorsal.

É um gosto e uma satisfação enormes ver o complexo, diariamente, com jovens cheios de sonhos e com gosto por aquilo que fazem. Tudo se resume a uma bola, ao companheirismo, ao respeito e à paixão pelo desporto rei.
Seguindo uma política de formar homens do amanhã e, se possível, exímios profissionais de futebol, as crianças e jovens do União têm evoluído, desportiva e civicamente, com os ensinamentos dos seus tutores, com distinta vontade e determinação.

Apesar de, no futebol de formação, os resultados não serem o mais importante, é certo que os bons resultados alcançados dão uma motivação extra, um tónico para quem, todos os dias, vive a vestir o azul e amarelo.
Diz a letra que “o sonho comanda a vida”, e o sonho, para eles, está próximo. Faço votos para que continuem o trabalho coeso e eficaz até então desenvolvido e que isso seja um bom presságio para o seu futuro, quem sabe, de atletas, formadores e dirigentes.

“Roma e Pavia não se fizeram num dia” mas os recentes resultados têm demonstrado, efetivamente, que existe muita margem de manobra para uma notória evolução. Além disso, há potencial bruto que pode e será lapidado. Quiçá assim, possamos ter, em breve, mais madeirenses na equipa profissional.

0

O Reino Unido é o país para onde os madeirenses têm emigrado mais nos últimos tempos. Na segunda parte da entrevista ao AgoraMadeira, o diretor do Centro das Comunidades Madeirenses Gonçalo Nuno Santos avisa aos madeirenses para terem cuidado com as propostas de trabalho vistas na internet sem quaisquer garantias.

– O desemprego tem alterado muito o fenónemo da emigração?

– Temos dito às pessoas para que não vão atrás de contratos que vêm na internet sem que antes consultem o Centro das Comunidades Madeirenses. As pessoas não são obrigadas a vir cá, mas temos apelado nas escolas e nas universidades para que a aventura da emigração seja acautelada de forma a que não seja duplamente penalizadora. Temos também feito simulações de quanto se vai ganhar, por exemplo, para o Reino Unido, de quanto é preciso gastar, mas as pessoas são livres de optar.

Tem havido mais pessoas a recorrerem ao Centro das Comunidades Madeirenses nos últimos anos?

– O número de pedidos de informação tem aumentado de ano para ano em cerca de 10 por cento. Mas estes pedidos não significam a saída de pessoas mas sim que estas se interessam em se informar mais.

– Quais são os destinos que os madeirenses mais têm procurado nos últimos tempos?

– Para além do Reino Unido, há muitas pessoas a irem para os países da CPLP, como por exemplo Angola, mas são pessoas ligadas à construção civil, ao ensino, à medicina e à enfermagem.

– O fecho dos consulados portugueses um pouco por todo o Mundo continua a acontecer com frequência?

– A reestruturação da carreira consular portuguesa foi feita pelo último governo socialista e continuou, de forma mais ligeira, com o governo seguinte social-democrata. Quando houve o encerramento de consulados no Mundo, tentamos assegurar o de Durban, que passou de um consulado de carreira para consulado honorário mas com capacidade de emissão de passaportes, e conseguimos manter New Bedford e Providence. Temos tido uma grande cooperação com o consulado de Londres, que é o que nos dá grande trabalho. Aquando da restruturação fizemos ver ao Governo da República as grandes preocupações que tínhamos e conseguimos resolver parte delas.

As grandes dificuldades financeiras que o país vive também não ajudam em relação ao fecho de consulados…

– Sem dúvida, mas há que louvar o empenho de quem trabalha nos consulados. Em Londres, por exemplo, há 200 mil portugueses, sendo que todos anos entram em Inglaterra 30 mil novos portugueses, por isso imagino como é difícil o trabalho da meia dúzia de pessoas que trabalha no consulado.

0

O sentimento é de grande revolta entre a comunidade portuguesa residente em França. Solidários com as famílias das pessoas que perderam a vida, ontem, na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, alguns emigrantes acreditam que a viragem à extrema direita poderá ser a solução para um país “vergado aos muçulmanos”.

“Os jornais já admitem que os muçulmanos têm de ser expulsos deste ‘paraíso’ que sempre os ajudou… acredito que a solução é entrar a extrema direita para recuperar a França. Não será bom para os emigrantes mas, quanto a mim, prefiro regressar a Portugal a ver o País neste estado”, afirma David Pestana.

O jovem português residente em Rodez descreve uma França que protege em demasia os muçulmanos. “Se um muçulmano ofender um francês não lhe acontece nada, se for ao contrário é logo acusado de xenofobia. Vivemos num país que chegou ao extremo de proibir o consumo de carne de porco nas cantinas das escolas. Onde está a liberdade de escolha?”, critica.

Admitindo que nem todos os muçulmanos são fundamentalistas, David Pestana acredita que a comunidade corre agora o risco de ser afetada pela revolta dos franceses. O operário de construção civil não põe de lado a hipótese de haver mais confrontos.

“Os franceses estão muito revoltados. As televisões mostram Paris e não falam das terras pequenas onde a mentalidade é outra, onde o catolicismo ainda tem forte implementação e onde as pessoas estão muito descontentes”, refere.

Emigrantes sentem-se ameaçados
A 20 minutos de Paris, em Drancy, Ariete Gaspar não acredita na possibilidade de haver confrontos entre cidadãos franceses e muçulmanos. “Pelo que tenho visto, há muita indignação, mas as pessoas estão calmas e recolhidas no seu sofrimento”.

A madeirense acredita que a extrema direita vai avançar na França. “Nestes últimos anos, tem entrado muita emigração dos países de leste e a maior parte não trabalha… A França ainda é dos poucos países que ajuda financeiramente esses emigrantes, mas os franceses sentem-se lesados, sobretudo agora com a crise e o aumento dos impostos”, explica.

Ariete Gaspar não nega sentir alguma insegurança nos últimos anos. “As pessoas até têm medo de se expressar porque muitos árabes usam a sua impunidade para ameaçar… se alguém reclama, fazem logo um sinal a simular que nos vão cortar o pescoço”, diz.

Carlos Mendes, outro emigrante português, partilha a opinião da conterrânea e acredita que a extrema direita só vai ser prejudicial para os emigrantes que não queiram trabalhar e se integrar na comunidade francesa.

Solidariedade internacional
Nas redes sociais, as manifestações de solidariedade chegam de todo o Mundo. A  partir da Alemanha, Teresa Romão, uma madeirense de 48 anos, confessou, ao AgoraMadeira, estar preocupada com as consequências deste atentado. “Hoje foi na França, amanhã poderá ser em qualquer Pais da Europa… apetece-me gritar pela liberdade de expressão e por um mundo sem fanatismos “.

Apesar da revolta, há também quem apele à calma. Marco Silva, emigrante em Londres, lembra que  “não se pode correr o risco de meter ‘todos no mesmo saco’, ao considerar todos os muçulmanos como terroristas e prejudicar, assim,  pessoas inocentes”.

Segundo a imprensa francesa, mais de 100 mil pessoas manifestaram-se ontem por toda a França. As homenagens às 12 vítimas do atentado contra o semanário francês Charlie Hebdo estenderam-se a varios países. Em Londres, Nova Iorque, Canadá e no Brasil as manifestações sucederam-se sob o lema  “Eu sou Charlie”.